Biblioteca · Desafio de livros · Resenha

A bibliotecária de Auschwitz – Antonio G. Iturbe

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Uma garota de 14 anos. Um professor. Oito livros. Esperança. Em plena Segunda Guerra Mundial, no maior e mais cruel campo de concentração do nazismo, cerca de quinhentas crianças convivem todos os dias com a morte e com o sofrimento. No pavilhão 31, de vez em quando uma janela é aberta para férias. Obra de Fred Hirsch, o professor que consegue convencer os alemães a deixa-lo entreter as crianças. Desta forma, garante ele aos nazistas, seus pais – judeus – trabalhariam bem melhor. Os alemães concordam, mas com uma condição: seria terminantemente proibido o ensino de qualquer conteúdo escolar no local. Mal sabiam eles o que a jovem Dita guardava na barra da saia: livros. Baseado na história real de Dita Dorachova, A bibliotecária de Auschwitz é o registro de uma época triste da história, mas também o relato de pessoas corajosas que não se renderam ao terror e se mantiveram firmes na luta por uma vida melhor, munindo-se de livros.

Autor: Antonio G. Iturbe
Editora: Agir
Ano: 2012
Páginas: 368

ENREDO

A obra é um pequeno relato sobre a vida no campo de Auschwitz-Birkenau durante a Segunda Guerra Mundial. Embora muito da história de Dita Adlerova seja ficção, a estrutura do campo, as maldades e a rotina encontradas lá são reais. Bem reais.

(Vale os parênteses aqui: é um livro relativamente forte. As cenas parecem inimagináveis, tamanha a maldade e atrocidade que aconteciam em Auschwitz. Mas é essencial para nunca esquecermos o que aconteceu, para que nunca mais se repita).

Voltando: o livro gira em torno de Dita Adlerova, uma jovem tcheca de 14 anos, que vai parar no campo com sua família. Ela permanece no mesmo barracão da mãe, mas ficam separadas do pai – havia separação entre dormitórios de homens e mulheres. Em meio a trabalhos forçados, que inclui recolher os corpos dos que morreram, limpar “banheiros” e valas em meio à fumaça que vem das câmaras de gás, Dita consegue uma função especial: auxiliar no Bloco 31.

O Bloco 31 é uma espécie de paraíso em meio a tanta maldade, nele funciona uma precária escola, que ensina cerca de 500 crianças. Foi uma maneira que Fredy Hirsch, um jovem professor idealista, encontrou de distrair os menores e mostrar ao mundo que Auschwitz não era assim um lugar tão ruim (aquela história, só “pra inglês ver”). A ideia era entreter as crianças, enquanto os pais trabalham forçadamente – a única regra seria que não poderiam ser ensinados conteúdos escolares. Hirsch era o maior exemplo que aquelas crianças poderiam ter, para eles era o próprio ideal de liberdade.

É claro que a ordem sobre a escola não foi obedecida. Mas o mais impressionante em tudo isso é que havia 8 livros, que precisavam ser guardados e escondidos, pois se fossem descobertos, seria o fim da escola, do Bloco e de todos os envolvidos.

Dita recebe a grande missão de ser a bibliotecária do Bloco: guarda os 8 preciosos livros, distribui-os entre os professores e depois recolhe-os no fim do dia. Em meio a tudo isso, ela encontra força para cuidar da mãe, apoiar o pai e acreditar no final do sofrimento que vivencia lá. Além de ter que cuidar para não ser apanhada com os livros – isso é superimportante na obra.

Ao completar 6 meses no campo, ela e sua mãe Liesl são transferidas para outro local, com cada vez menos condições de sobrevivência. A comida é escassa, não há qualquer higiene, sobram piolhos, pulgas e doenças e é preciso carregar as colegas que morrem para serem jogadas na vala comum.

Mas nesta altura, Dita não aguenta mais o sofrimento e se entrega, desistindo de lutar. Mas a guerra está chegando ao fim – Dita é uma personagem real, é baseada em Dita Dorachova, impressionante.

 

MINHA OPINIÃO

Eu amei o livro!

Por incrível que pareça, eu gosto do tema Segunda Guerra Mundial, não das atrocidades, obviamente, mas da geopolítica que envolveu esse período.

Então, quando descobri esse livro, já adicionei mentalmente à minha lista de leitura J

A história é envolvente desde o começo. As personagens são muito bem construídas e o autor narra com muitos detalhes as cenas e, principalmente, a vida em Auschwitz. O autor fez diversas pesquisas, então há muitos dados e informações reais do nazismo, dos soldados e de Auschwitz, como a própria Dita, Mengele e até mesmo Anne Frank.

Dita Adlerova é uma daquelas jovens heroínas de livros que você aprende a admirar. Mesmo em meio a tanto caos e maldade, ela não se vendeu, mas permaneceu ao lado de sua família e fiel à sua função: guardar a pequena biblioteca do Bloco 31. Ela se mostra de confiança e não desistirá até conseguir chegar ao fim do tormento que Auschwitz se mostra ser.

E Iturbe consegue transmitir muito bem a força de caráter e espírito que Dita possui. Além de mostrar muito bem o idealismo que Freddy Hirsch possuía, apesar do segredo e medo que carregava consigo – é a prova de que muitos se sacrificam pelos outros, colocando a si mesmos em segundo plano.

De todo modo, eu gostei muito do livro. Fiquei chocada com alguns trechos, comovida em outros e nem vi a leitura passar – na verdade eu não conseguia parar de ler.

 

CITAÇÕES INTERESSANTES

“Qualquer que fosse sua ideologia, todos tiveram algo em comum: sempre perseguiram os livros com verdadeira sanha. São muito perigosos, fazem pensar” (p. 13)

“Dita, agarrada a esses livros velhos que podem leva-la à câmara de gás, vê com nostalgia a menina feliz que foi” (p. 17)

“Fazer caber todos os milhões de quilômetros de mares e bosques, todas as cordilheiras da Terra, todos os rios, todas as cidades e todos os países num espaço tão minúsculo é um milagre que só está ao alcance de um livro” (p. 37)

“Auschwitz não mata só os inocentes, mas também a inocência” (p. 42)

“ – O atleta mais forte não é o que atinge a meta antes. Esse é o mais rápido. O mais forte é o que se levanta cada vez que cai” (p. 55)

“ – Se você não luta pela vitória, não chore depois pela derrota” (p. 60)

“Os homens tinham se transformado em máquinas de odiar” (p. 150)

“Com pão para comer e água para beber, o homem sobrevive, mas só com isso a humanidade inteira morre. Se o homem não se emociona com a beleza, se não fecha os olhos e põe em funcionamento os mecanismos da imaginação, se não é capaz de fazer perguntas e vislumbrar os limites de sua ignorância, é homem ou mulher, mas não é pessoa” (p. 354)

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